Fachadas Eficientes - considerações e estratégias para o desenvolvimento da envoltória dos Green Buildings

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Publicada em: 23/03/2015

A fachada é considerada um elemento de grande importância em um Green Building e pode contribuir significativamente para a melhoria da eficiência energética, conforto térmico, acústico e visual. Por ser a membrana de envoltória, é responsável pela proteção e, ao mesmo tempo, por toda a troca entre o edifício e o espaço externo. Se for traçada uma comparação entre a edificação e o corpo humano, a fachada seria o equivalente a nossa pele. Logo, para o desenvolvimento de uma envoltória eficiente não há como pensá-la de forma isolada.

Para maximizar o desempenho da ventilação e da iluminação naturais, a correta orientação das faces do empreendimento, baseada em estudos climáticos locais para aproveitamento das correntes de vento e proteção das faces leste, norte e oeste da incidência direta dos raios solares, além da análise do entorno, com o intuito de verificar possíveis sombreamentos, é estratégia passiva primordial. Estas estratégias são definidas nas fases de pré-projeto e durante a execução do projeto e possibilitam verificar a melhor posição e dimensionamento para a abertura dos vãos, incluindo portas e janelas.
Além da correta orientação do edifício, há outros métodos que podem ser definidos durante a fase de desenvolvimento do projeto como o emprego de pés-direitos altos. A fachada ventilada é considerada um excelente redutor da carga térmica, através da qual ocorre a formação de um colchão de ar sob os vidros podendo otimizar significativamente o consumo de energia. O brise-soleil, elemento muito usado pelos modernistas, pode ser aplicado em fachadas nortes, a de maior exposição ao sol em nosso país.

Recursos como a correta especificação dos materiais e o uso de tecnologias adequadas também devem ser considerados na composição da envoltória. Eles devem ser selecionados com base em transmitância térmica, cores e absortância de superfície. 
As fachadas envidraçadas e cortinas de vidro são estratégias excelentes para captação da iluminação natural. Entretanto, é necessário avaliar a questão térmica a fim de não gerar um aquecimento indesejável na edificação. A utilização do vidro-duplo e vidros de baixa emissividade (Low-e) e o uso de películas térmicas especiais também são recursos comumente empregados. 
Ainda com relação à aplicação dos materiais, em países de climas mais quentes, como no caso do Brasil, devem ser especificados aqueles de superfícies frias, por possuírem elevada capacidade de refletância e baixa absorção do calor. Mecanismos de automação, como as persianas automatizadas, que se fecham nos horários em que é detectada a insolação direta nos vidros, são ótimos recursos. 

Outra estratégia de grande impacto é a aplicação de superfícies vegetais, as fachadas ou empenas verdes, responsáveis por gerar o microclima e impedir com que os raios solares incidam diretamente sobre a edificação. Coberturas vegetais também contribuem para a preservação da biodiversidade, atraindo pássaros e outros animais. O novo Zoneamento da cidade de São Paulo está prevendo o uso de superfícies vegetais como um dos fatores para atendimento à Quota Ambiental, obrigatória por lei.

Com relação aos ganhos energéticos e de conforto térmico proporcionados pela intervenção da envoltória, há uma elevada taxa de redução do uso de iluminação artificial e de sistemas de refrigeração mecânica.
Um estudo realizado recentemente pelo World GBC aponta que uma série de fatores nos Green Buildings é capaz de afetar a saúde, a satisfação e a produtividade dos funcionários nas empresas. Dentre os fatores, conforto térmico, ruído e acústica, além de vistas da área externa, foram considerados elementos que influenciam diretamente na saúde, bem-estar e produtividade dos funcionários.

AVALIAÇÃO DA ENVOLTÓRIA PARA A CERTIFICAÇÃO LEED
A avaliação da envoltória para a certificação LEED é realizada utilizando como referência o Standard 90.1/2007 da ASHRAE. Através da norma, requisitos obrigatórios devem ser especificados para a análise como: definição das categorias de espaço condicionado classificadas como não residenciais, residenciais e semi-aquecidas; determinação da zona climática para o local; verificação da conformidade no que tange à documentação necessária para aprovação, informação de produto, requisitos de instalação, dentre outros; avaliação da vedação do edifício para verificar o desempenho dos materiais especificados para toda a envoltória, considerando telhado, paredes, pisos e portas; avaliação da fenestração, incluindo as aberturas de vãos e infiltrações de ar através de portas, janelas, claraboias, além do sombreamento causado pelas projeções de edificações do entorno.