O consumo de energia nas edificações no Brasil

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Publicada em: 01/09/2015

"Adotando-se uma política integrada de eficiência energética englobando construção, reforma e operação de edificações, sem grandes investimentos e ótimas taxas de retorno, conseguiríamos devolver ao país UMA usina de Itaipu por ano operando em sua capacidade máxima de geração de energia."

Um dos principais desafios do país e dos clientes consumidores de energia atualmente é encontrar soluções céleres, econômicas e significativas para superar as dificuldades em relação ao cenário energético e hídrico que preocupa a sociedade e influencia nosso desenvolvimento econômico. O custo de energia está alto e vai aumentar ainda mais. Existem duas formas básicas de se obter mais energia: produzindo a mesma através de um dos mecanismos disponíveis na matriz energética brasileira (hidroelétricas, termoelétricas, usinas nucleares, dentre outros) ou otimizando racionalmente o uso da energia atual. A primeira solução demanda tempo e altos investimentos o que não resolveria a curto e médio prazo a situação. Utilizar melhor a energia através da execução de projetos de eficiência energética é uma forma rápida e de custo muito menor.

Analisando o tema, conforme o BEN 2015 (Balanço Energético Nacional), nossas edificações (no segmento industrial, comercial, serviços, residencial e público) são identificadas como a principal demanda de eletricidade do país, responsável pelo consumo de cerca de 50% do total. Todavia, através do movimento de construção sustentável, onde eficiência energética desponta como um dos principais temas, as edificações deixam de ser apresentadas como grandes consumidores de energia, tornando-se a principal solução do problema energético nacional.

Cresce no país a mobilização de organizações e associações trabalhando no incentivo a práticas de construção sustentável e economia de energia. Dentre as principais atividades destes grupos há a promoção de sistemas de certificação e etiquetagem de edificações projetadas e construídas buscando maximizar seu desempenho energético, bem como atividades de readequação energética de edificações existentes.

Atualmente temos 224 edificações certificadas LEED no Brasil e 10 edificações certificadas pelo recém criado Selo Procel Edificações. Uma análise, considerando a média de economias comprovadas nestas edificações, mostra que sem muitos esforços adicionais as edificações brasileiras poderiam apresentar um potencial mínimo de redução de 30% ou mais.

Considerando o total de energia elétrica disponibilizada no país, descontadas as perdas, o consumo no Brasil chega a 516,6 TWh,  deste valor 258 TWh, ou o equivalente a R$ 60 bilhões são consumidos apenas pelas edificações. O potencial de redução de consumo nos prédios green buildings é cerca de 77,49 TWh, fomentado por uma política integrada de eficiência energética que englobe construção, reforma e operação das edificações, sem grandes investimentos e ótimas taxas de retorno. Ou seja, praticamente o montante da energia produzida pela Usina de Itaipu. Também significaria reduzir em 65% o uso de Termoelétricas, reduzindo emissões poluentes e economizando quantias financeiras relevantes aos cofres públicos. 

Para o cliente final é uma redução de R$ 18 bilhões (dezoito bilhões de reais) onde o principal sistema consumidor é o sistema de climatização!!!

O mercado de eficiência nas edificações possui vantagens sociais, ambientais e principalmente econômicas. Em muitos casos a readequação energética, além de não envolver grandes investimentos e em todos eles termos ótimas taxas de retorno econômico, existem inúmeros benefícios diretos e indiretos para o Governo, iniciativa privada e sociedade. No mercado é possível encontrar diversas soluções e serviços especializados em eficiência energética, sendo que as barreiras de mercado como falta de informação, visão de curto prazo e falta de incentivos podem ser facilmente superadas por políticas públicas de fomento via incentivos intangíveis, mecanismos de mercado, incentivos fiscais, financeiros e ao crédito além de legislação de cunho mandatório.

Os proprietários de imóveis devem se informar e estar atentos ao fenômeno da crescente conscientização dos ocupantes e perda de competitividade frente aos novos empreendimentos que se diferenciam em face a eficiência operacional. O Governo também deve coordenar uma política pública integrada mobilizando todos os Ministérios e Agências Reguladoras para uma atuação alinhada com metas audaciosas de eficiência energética nas edificações brasileiras. O Congresso Nacional deve fortalecer o conhecimento e relevância do tema provocando o surgimento ou seu fortalecimento às lideranças no assunto. 

Com isso, o Brasil possuirá todas as condições de superar os atuais desafios energéticos sendo a eficiência a principal solução. A ineficiência energética sugere grande desperdício de dinheiro e oportunidades, certo que as ações de correção deste cenário irão inserir estes valores, que até então encontram-se perdidos, na economia, gerando emprego, elevando o padrão técnico do setor, mitigando impactos sócio ambientais negativos e melhorando a qualidade de vida.


Sobre a ABESCO 
A Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia é uma entidade nacional que representa o segmento de eficiência energética, congrega e fomenta ações que busquem oferecer às empresas e à sociedade em geral um serviço especializado em projetos e execução de serviços que diminuam o consumo de energia e otimizem a demanda necessária para suas atividades tornando-as mais competitivas e beneficiando o país como um todo.

Sobre a ABRAVA
A Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA) foi fundada em 1962 e ao longo de sua história registra inúmeras conquistas em benefício das empresas associadas e do setor como um todo, tornando-se referência para fabricantes de equipamentos, projetistas, instaladores e mantenedores de sistemas, além de comerciantes varejistas de peças e componentes de todo o país
Missão: Assegurar o desenvolvimento tecnológico e competitivo do setor de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento do país, defender seus legítimos interesses, promovendo o uso responsável de equipamentos e de fluidos refrigerantes para reduzir o aquecimento global, preservar o meio ambiente e melhorar a qualidade de vida.

Sobre o GBC BRASIL
A organização não governamental é um ponto de referência para a indústria da construção sustentável no país, utilizando as forças de mercado para conduzir a adoção de práticas de green buildings em um processo integrado de concepção, implantação, construção e operação de edificações e espaços construídos.

Sobre o LEED 
O sistema LEED de certificação do U.S. Green Building Council é o programa mais importante do mundo para o projeto, construção, manutenção e operação de edifícios verdes (green building) e busca otimizar o uso dos recursos naturais, promover estratégias de regeneração e restauração, minimizando as consequências ambientais e de saúde humana da indústria de construção. A certificação demonstra liderança, inovação, gestão ambiental e responsabilidade social.










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