Patrono de Formatura da 11º Turma de Gestão Ambiental da ESALQ

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Publicada em: 05/02/2016

No dia 21 de Janeiro de 2016, o Green Building Council Brasil participou da Colação de Grau dos alunos da ESALQ, principal Universidade da América Latina em cursos para o setor do Agronegócio e TOP 5 no mundo. 

Após participarmos da semana do Meio Ambiente via uma rodada de palestras, organizado pelos alunos no início de 2015, com uma palestra sobre o cenário e oportunidades da indústria nacional da construção sustentável, recebemos o convite dos alunos da 11º Turma de Gestão Ambiental para representá-los como Patrono no dia da sua formatura.

A cerimonia de formatura da ESALQ é uma das mais relevantes e emocionantes do país por evocar a força idealizadora do seu fundador, Luz de Queiroz. Este ano também contou com o Secretário Estadual de Agricultura Arnaldo Jardim e o Secretário Nacional de Irrigação, José Dória.

Para o Green Building Council Brasil é uma felicidade poder participar desta Cerimonia que evidencia a consolidação das nossas atividades de disseminação do conhecimento, capacitação profissional e desenvolvimento de princípios pautados no equilíbrio econômico, ambiental e social.
Parabéns a todos alunos da 11º Turma de Gestão Ambiental e seguiremos nosso objetivo de convencê-los de focarem suas atividades na indústria da construção sustentável.

AOS SRS. BACHARELANDOS DA 11º TURMA DE GESTÃO AMBIENTAL DA ESALQ

Sustentabilidade, o Único Caminho para a Prosperidade

A cada dia, fico surpreendido pela magia que envolve as atividades e profissionais que atuam no mercado de trabalho enraizados por práticas alinhadas com o conceito de economia verde. Não obstante os atributos relacionados a competência, inteligência, ética, colaboração, persistência e tantos outros que corroboram para o alcance do sucesso em nossas vidas profissionais, penso que a intuição e interdisciplinaridade são diferenciais existentes naqueles que atuam com gestão ambiental ou atividades pautadas na visão sistêmica da sustentabilidade.
Ao longo da minha vida profissional, coleciono inúmeras participações como palestrante ou debatedor, em eventos nacionais e internacionais sobre edificações e cidades sustentáveis. Muitos eventos são semelhantes, mas diferenciam-se pela atmosfera e sinergia gerada entre os participantes e os organizadores. No dia 26 de fevereiro de 2014, tive o prazer de participar como palestrante no I Workshop de Municípios Sustentáveis organizado pelos alunos do curso de Gestão Ambiental da ESALQ. Recordo que neste dia senti muita gratidão pela oportunidade de compartilhar um pouco do trabalho desenvolvido pelo Green Building Council Brasil a todos os participantes e sentia que um elo de ligação entre a Organização, a Turma e as pessoas havia sido construído. Minha confirmação se em face ao convite de patrono recebido, o qual acolhi com muita satisfação e orgulho.
Atualmente, passamos por um período de desafios políticos e econômicos, crise hídrica e energética, que estão de certa forma conectadas a degradação ambiental, bem como estamos acompanhando um dos piores desastres ambientais do Brasil e discussões sobre o futuro do nosso Planeta no ambiente do COP Paris. Em face o cenário acima mencionado, com total segurança afirmo que vocês escolheram a profissão do presente para que tenhamos futuro.
Para aqueles que pretendem explorar temas ligados ao desenvolvimento sustentável, tomo a liberdade de tecer algumas palavras relacionado aos desafios que vislumbro com base na minha experiência à frente do GBC Brasil, participando do Conselho Consultivo do ICLEI Brasil e membro do LEED Steering Committee.   
Aqueles que possuem maior esclarecimento sobre o tema, entendem que o chamado tripé da sustentabilidade engloba aspectos sociais, ambientais e econômicos. Todavia, muitos conectam o assunto sustentabilidade somente com proteção ambiental e responsabilidade social. Deixam de lado o aspecto econômico quando discutem ações que beneficiam o social e ambiental, ora por preconceito ou resistência desnecessária, entendendo que o desenvolvimento econômico, em sua essência, é o motivo da degradação ambiental e social, ora por desconhecimento, ou falta de experiência em criar um modelo de negócio que alavanque a atividade "sustentável".
Neste sentido, as principais barreiras enfrentadas por quaisquer profissionais e empresas envolvidos em movimentos de transformação de mercado com foco em sustentabilidade são: falta de informação; falta de comunicação entre os diversos "stakeholders" envolvidos no projeto de modo a considerar a pluralidade de conhecimento e experiência na fase de planejamento; falta de incentivo ou política pública integrada que possa nortear tais atividades; e visão imediatista.
O imediatismo está totalmente desconectado com a visão holística que regerá as atividades econômicas no novo tratado que insurge entre homem e Planeta. Ações imediatistas assumem importância na remediação de problemas existentes sem solucionar suas causas.
Não digo que resultados positivos somente serão percebidos no longo prazo. A visão de curto prazo permite auferir resultados imediatos, porém a perpetuação deste negócio lucrativo não será possível sem maximizar aspectos culturais e de responsabilidade socioambiental. Mesmo por quê, atividades que não são pautadas na visão sistêmica da sustentabilidade estarão a cada dia, enfrentando novos riscos de investimentos, jurídicos, ambientais e sociais.
Assim, no mundo corporativo muitos modelos de negócios surgem dentro de uma perspectiva de longo prazo. Normalmente estes modelos de negócios são desenvolvidos e dirigidos pelos principais executivos, empreendedores ou talentos das corporações.  
Os profissionais que buscarem desenvolver habilidades e nutrir conhecimento multidisciplinar, de modo a conseguir identificar todas as oportunidades ou impactos relacionados a sua atividade meio, estarão passos à frente dos demais e bem encaminhados para um próspero futuro profissional. Não à toa, as principais empresas de recrutamento do mundo, determinam como pré-requisito a identificação de executivos para assumir cargo de alto escalão de grandes corporações, capacidade de planejar a longo prazo, identificando todas as interfaces e oportunidades dos seus negócios, transformando resíduos em receita; ações sociais de engajamento com a comunidade em capacitação de mão de obra, melhorias no entorno podendo beneficiar a logística e valorização de marca; tecnologias que alinham eficiência e mitigação de impactos com ganhos econômicos; etc...
Somado ao sucesso dos desafios assumidos por estes profissionais, temos a crescente discussão dos conceitos de análise de ciclo de vida e declaração ambiental de produtos; contabilidade ambiental; índices de sustentabilidade das principais bolsas de valores; fundos de investimentos específicos para "start up" que envolvem serviços ou soluções para edificações ou cidades sustentáveis, entre outros.

Aos queridos bacharelandos da 11º Turma de Gestão Ambiental da ESALQ, desejo muita luz e força para traçarem um próspero caminho profissional que já desponta no horizonte de cada um. Visualizem seus sonhos, acreditem a cada segundo que seus sonhos serão alcançados, independentemente do caminho a ser traçado, pois este é determinado pelas circunstâncias do dia a dia. O segredo para o sucesso profissional é nutrir sonhos conectados a propósitos positivos, ausência de conflitos, muita persistência, contínuo aprendizado e amplo sentimento de gratidão, certo que o sucesso por vocês almejados já está concretizado em algum lugar no espaço e tempo.
Parafraseando o Mestre Mahatma Gandhi: "seremos juntos a mudança que queremos ver no mundo". Estou certo que juntos, seremos a força motriz que regerá a transformação da nossa atividade econômica em direção à sustentabilidade.
 
Muita Gratidão,  
Felipe Augusto Faria
Diretor Executivo do Green Building Council Brasil