Empresas investem pouco na integração entre os programas de Saúde e Bem-Estar

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Publicada em: 08/12/2016

Promover a qualidade de vida no ambiente de trabalho está se tornando um ativo cada vez mais estratégico para atrair e reter os melhores talentos, que são a principal força motriz para alavancar o crescimento da empresa.

Alinhada com esta tendência, a Mercer Marsh Benefícios realizou em parceria com o Instituto Health Enhancement Organization (HERO) uma pesquisa inédita no Brasil, que teve como resultado o 1º Benchmarking de Saúde e Bem-Estar do país.

As 58 corporações que participaram deste estudo representam 19 segmentos da economia e juntas empregam mais de 250 mil colaboradores. Todas elas apontaram que 100% de seu capital humano faz parte dos programas de saúde e bem-estar existentes, 41% delas incluem os trabalhadores afastados e 28% os funcionários já aposentados, que tiveram direito à extensão da assistência médica.

Entretanto, somente 36% das participantes fazem a integração entre as suas diversas iniciativas de saúde e quando há esta incorporação, 67% ocorre por meio dos dados de saúde ocupacional (atestados, exames e questionário de saúde) e do uso dos planos de saúde. "Isto demonstra que integração entre os programas oferecidos, embora seja importante, ocorre efetivamente em um pequeno universo das organizações. Se a empresa necessita de um mapeamento preciso da população de trabalhadores, ela precisa também de uma integração maior e mais eficiente", afirma Helder Valério, líder de gestão de saúde da Mercer Marsh Benefícios.

Segundo os dados desta pesquisa, também é possível notar a baixa implantação de ações ancoradas em um planejamento estratégico. Apenas 31% possuem um plano formal e de longo prazo para os programas de saúde e bem-estar e dentre estas, 83% têm como objetivo principal avaliar os riscos de saúde dos colaboradores, 72% mensurar resultados clínicos, 67% a satisfação do colaborador e 56%, avaliar o impacto financeiro dos riscos de saúde nos negócios. "Identificamos ainda que 78% das organizações conseguiram um resultado eficaz ou muito eficaz quando as suas práticas foram balizadas por um planejamento estratégico de longo prazo formalizado", diz o consultor.

Apoio da organização

Ao analisar o apoio da liderança, a cultura e o ambiente de saúde dentro da empresa, 41% das participantes contam com o apoio dos líderes na estratégia de disseminar o valor e a importância da saúde para os trabalhadores. Já 64% têm a saúde e bem-estar nos valores da empresa, e para 59% a visão e a missão da organização contemplam uma cultura de ambiente de trabalho saudável.
Em relação ao que é praticado dentro das empresas, grande parte (78%) oferece alimentação saudável e de fácil acesso ao colaborador, 50% oferecem condições em suas instalações para gestão do estresse, e 36% possuem estrutura física interna que estimula a prática esportiva (academias, trilhas para caminhada). "Aquelas que contam com alto apoio da liderança tem uma maior adesão dos colaboradores aos programas de saúde oferecidos quando comparado com as que não possuem o apoio da liderança", afirma Helder.

Programas oferecidos

Dentre as 58 companhias avaliadas, o check-up executivo e o apoio para equilibrar a vida pessoal e profissional dos colaboradores, têm sido prioridades entre os principais projetos de saúde e bem-estar. A maioria (83%) oferece check-up executivo e 60% mantém políticas de apoio para equilibrar questões pessoais e profissionais.

"O check-up executivo é um benefício consagrado nas empresas para os colaboradores que ocupam posições estratégicas. O objetivo é promover prevenção a saúde dos executivos, cada vez mais pressionados pela competição, resultados e o acúmulo de  trabalho. Embora uma porção significativa das empresas analisadas ofereça o check-up, pode-se observar que os executivos usam bem menos esse benefício do que as corporações gostariam", diz o executivo.

O coaching em saúde também é oferecido por 48% das participantes. Já o EAP (Programa de Assistência ao Empregado) e a opinião médica especializada estão presentes em 47% das companhias.
O EAP consiste na assistência especializada para ajudar empregados a se preparar e enfrentar de maneira bem-sucedida assuntos pessoais delicados e situações do dia a dia. Pode ser uma assistência psicológica, jurídica, financeira e/ou social por meio de serviços qualificados, que atendem os colaboradores com as mais diversas dificuldades.

A gestão de doenças crônicas faz parte da estratégia de saúde de 41% das empresas. Além disso, 34% delas oferecem programas para a gestão do estresse e 24% disponibilizam central de dúvidas em saúde.

Programas para trabalhadores afastados 

O acompanhamento dos trabalhadores afastados é tão importante quanto o acompanhamento dos trabalhadores ativos. Apesar de 74% das empresas participantes afirmarem que têm programas de gestão focada nos funcionários afastados, estes programas apresentam resultados apenas satisfatórios pelo motivo das empresas não explorarem todos os preceitos de um programa estruturado de afastados. 

Do total de empresas que oferecem estes programas, somente 44% das organizações desenvolvem e aplicam métricas para monitorar casos de funcionários afastados e adotam políticas de saúde, procedimentos e cuidados para o retorno ao trabalho. 

Além disso, 40% faz comunicação contínua com o empregado durante a licença e 23% desenvolve ações de identificação da população de risco nos programas de saúde e bem-estar oferecidos. 

Comunicação e Tecnologia 

O estudo mapeou também a estratégia de comunicação para adesão e participação e identificou que 53% das ações são estruturadas com plano de comunicação anual, 31% dissemina as práticas de saúde por meio de multiplicadores (gestores ou funcionários elegidos para esta função), 29% estabelece comunicação sob medida para subgrupos (liderança e área operacional) e 17% traça uma comunicação segmentada aos membros da família dos trabalhadores. 

O uso da tecnologia para incentivar a adesão e participação ainda é tímido entre as empresas brasileiras, segundo a pesquisa. Apenas 17% usam ferramentas de monitoramento e somente 14% contam com aplicativos para apoiar as iniciativas do programa. "Uma realidade diferente pode ser vista na mesma pesquisa aplicada nos EUA, onde os dados foram de 46% para ferramentas de monitoramento e 39% para aplicativos, mostrando que o mercado brasileiro tem uma grande oportunidade de crescimento nestas áreas", conclui Helder.

Fonte: Marsh