Dia Mundial do Meio Ambiente: descubra as vantagens de um edifício com certificado verde

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Publicada em: 07/06/2017

Muito além da responsabilidade social, projetos que seguem este padrão prometem ser bem mais econômicos.

Imagine que, como num passe de mágica, todos os edifícios de uma cidade recebessem uma certificação verde. Sabe o que aconteceria? Muitas coisas, entre elas a diminuição automática de 10% do nosso consumo atual de água e energia - no mínimo!


Parece impossível, e de fato não temos uma varinha de condão, mas segundo o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Marcelo de Andrade Roméro, este é o real potencial dos edifícios com certificado verde, ou seja, projetos que, em busca de uma certificação, se comprometem a ter práticas sustentáveis desde a sua construção até o seu uso diário.

No Brasil
Segundo o Green Building Council Brasil, o Brasil é o 4º país, de um total de 165, com maior número de projetos registrados para a certificação americana LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), um dos selos mais utilizados do mundo. Dos 1.230 projetos inscritos, 423 ganharam a certificação; embora  apenas um, construído este ano em Governador Valadares, MG, tenha alcançado o selo v4.

A versão lançada em 2014 é a que apresenta os parâmetros mais exigentes, e embora seja difícil de se conquistarm parece compensar o esforço. Segundo a empresa LarVerdeLar, responsável pela construção mineira, depois de pronto, o edifício
mineiro registrou redução de 88% de energia e 74% de consumo de água.

"Buscamos o certificado máximo como uma estratégia de marketing", admite Vitor Tosetto, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do projeto.  Os benefícios, porém, foram muito além: "O edifício estimula o desenvolvimento ambiental da cidade e tem vantagens econômicas também", explica.

Vitor confirma que o proprietário da empresa paga hoje a taxa mínima de energia, mesmo com diversos computadores ligados e também garante que os funcionários tem faltado menos ao trabalho. Impressões que são confirmadas por pesquisas: estimasse que no Rio e em São Paulo o selo verde diminuiu a vacância de apartamentos, 7% e 9,5% respectivamente. O condomínio também fica menor, uma redução que pode chegar a 30%.

Mas e o investimento inicial?
De fato para colocar de pé um projeto sustentável o valor inicial é
maior que o comum. Estima-se que o aumento pode chegar a 6%, mas segundo especialistas do LEED ele é rapidamente recuperado e, na realidade, está em queda. "O investimento inicial já chegou a ser 20% mais caro, agora é pouco mais de 5%", comenta o professor Marcelo Roméro.

E o que torna um edifício apto para o selo?
Cada selo tem suas peculiaridades, mas de forma geral é possível afirmar que para ganhar o selo de sustentabilidade um projeto precisa se mostrar ambientalmente eficiente em cinco parâmetros: relacionamento com o entorno, consumo de energia, consumo de água, qualidade do ambiente interno e uso e descarte do material de construção.

Ou seja, para que um edifício seja de fato sustentável, não basta apenas ter painéis solares e jardins verticais. Vitor Tosetto, por exemplo, conta que durante a construção do edifício em Minas de Gerais foi criada uma barreira no terreno para que o barro e o entulho não escorresse para fora do terreno e chegasse, eventualmente, no rio. "Além de ser uma condição para o selo, nossa cidade foi impactada pela queda das barragens da Samarco no Rio Doce, por isso a questão de assoreamento do rio é muito importante para gente", explica.

Rígida e bastante eficaz, a certificação verde parece de fato ser uma solução viável para ampliar o número de projetos sustentáveis pela cidade. Mas nem tudo é perfeito. Segundo o professor Marcelo, atualmente no Brasil não existe uma auditoria frequente quanto a manutenção destes padrões. "Se eu tiver que fazer uma crítica, seria essa: precisamos encontrar uma maneira de que estes edifícios se mantenham verdes". Por aqui, torcemos que essa solução venha o mais breve possível.


Matéria: Casa Vogue - 05/06

Por: Giovanna Maradei