Soluções sustentáveis para a Crise da Mobilidade Urbana Imagem

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Publicada em: 04/11/2014

O aumento contínuo da frota de veículos automotores nas grandes cidades gera verdadeiro impacto no ambiente urbano e na qualidade do ar, afetando diariamente a vida de seus habitantes. As grandes metrópoles que cresceram com falta de planejamento são as que mais sofrem pelos problemas de congestionamentos.

Dados do IBGE apontam que em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro o tempo médio gasto de deslocamento da população de casa ao trabalho é de 45,8 minutos. Pesquisas do IPEA 2013 apontam que o tempo de deslocamento de casa ao trabalho nestas cidades só perdem para a cidade de Xangai. Além do impacto social, a crise da mobilidade urbana também gera forte impacto econômico causado pela redução da produtividade, prejudicando o desenvolvimento do país.

Em entrevista ao Jornal Folha de São Paulo, o secretário estadual de transportes metropolitanos, Jurandir Fernandes, ressalta que a mobilidade urbana atualmente baseia-se no tripé infraestrutura, planejamento urbano e mudanças comportamentais, tanto dos gestores, como dos usuários da mobilidade e transporte público.

AÇÕES PARA MELHORIA DA MOBILIDADE URBANA

As ações para melhoria da mobilidade urbana devem englobar toda a rede do sistema, envolvendo as empresas públicas e privadas, além da população. O poder público deve contribuir utilizando o conceito de cidades mais compactas através da adoção de medidas no plano diretor que promovam zoneamentos com ?mix? de usos, além de ações que possibilitem que diferentes classes sociais possam habitar a mesma área, como ocorre em países como Reino Unido e França.

A criação de zonas heterogêneas contribui para a redução do deslocamento da população para outras regiões mais afastadas, em busca de trabalho, serviços e lazer. Além da adequação do uso e ocupação do solo, devem ser criadas ações diretas na rede viária como a ampliação e integração do transporte público aos outros sistemas (além da melhoria da qualidade), a criação e expansão de ciclovias, a integração destas aos outros sistemas modais e o alargamento e nivelamento das calçadas. Com relação à educação, devem-se promover programas de conscientização e incentivo à população e ao setor privado.

As empresas privadas podem adotar estratégias de melhoria da mobilidade, promovendo jornadas de trabalho flexíveis, oferecendo estímulos ao home office, reuniões virtuais, caronas solidárias, oferecendo vagas privilegiadas para veículos elétricos, prevendo instalações de vestiários e vagas para bicicletas, realizando programas de educação e conscientização, além de premiações e bonificações aos funcionários que aderirem às formas alternativas de deslocamento que não seja o automóvel.

Como exemplo de ações de mobilidade na iniciativa privada, o banco Santander na cidade de São Paulo desenvolveu um programa de ações de sustentabilidade voltado para a mobilidade urbana. A torre possui 6.000 funcionários e apenas 2.000 vagas para veículos. A empresa promoveu o conceito de carona amiga, no qual foi criada uma plataforma virtual através da qual os funcionários podem verificar possíveis caronas para o trabalho com outros funcionários que vivam próximos às suas residências. Para isso, a empresa desenvolveu um programa de incentivo dando 50% de desconto no estacionamento para os funcionários que optarem pelo deslocamento ao trabalho através da carona amiga. Outras medidas foram criação de setores de infraestrutura como salão de beleza, academia, lavanderia, etc, estimulando o funcionário a não utilizar o automóvel em busca destes serviços.

Algumas empresas privadas também estão entrando no mercado da mobilidade urbana com iniciativas de inovação e tecnologia. A Compartibike desenvolveu o sistema de bicicletas compartilhadas, que se assemelha aos sistemas europeus como o Bicing na Espanha. A montadora chinesa BYD, produtora de veículos elétricos como automóveis e ônibus, está investindo em uma fábrica de veículos no Brasil.

Além das iniciativas públicas e privadas, é muito importante que a população também assuma a sua responsabilidade, partindo de uma mudança comportamental, optando pelo uso de transportes públicos, uso da bicicleta, caminhadas, participando de programas como caronas solidárias, dando preferência a transações bancárias via internet, dentre outras formas de comportamento que dispensam o uso do automóvel.

A boa mobilidade é a que dá mais opções para os habitantes em um meio urbano. Para isso, é necessária a criação de um sistema que integre toda a rede de transporte, além de melhorar e ampliar a infraestrutura existente, criar redes de transporte alternativas, desenvolver um Plano Diretor que estimule a diversidade de usos em uma mesma Zona e promover a educação dos habitantes



Matéria escrita pela Funcionária do GBC Brasil: Maíra Nazareth de Macedo