Aquela sensação gostosa de chegar em casa após um dia difícil no trabalho é bem mais do que uma simples impressão das pessoas. Relaxar e aproveitar seu próprio espaço do jeito que você gosta é um dos hábitos mais agradáveis que o ser humano pode experimentar. Isso explica, portanto, como o ambiente residencial impacta a nossa saúde física e mental – e porque devemos ter um cuidado maior na hora de planejá-lo, construí-lo ou reformá-lo.
A casa é, naturalmente, o local que deve prezar pelo conforto de seus ocupantes. Podemos até trabalhar e ter outros afazeres nela, evidentemente, mas na maioria das vezes é onde descansamos, convivemos com quem a gente ama e temos vários momentos felizes.
Construções comerciais até tentam se aproximar dessa característica, mas não conseguem porque devem valorizar outros aspectos, como a maior circulação de pessoas ou espaço para negociação de produtos e serviços. É o que a torna “lar”.
Por isso, é um local de pertencimento e intimidade. A casa reflete nossa personalidade e nosso humor, mostrando quem somos e o que valorizamos. Quando queremos celebrar alguma conquista ou simplesmente encontrar com um grupo de amigos, muitas vezes preferimos um jantar ou um churrasco onde moramos. Um restaurante ou um clube jamais conseguirão recriar o clima intimista e de proximidade que tanto desejamos.
Este é o principal desafio dos arquitetos na elaboração de um projeto de ambiente residencial atualmente. Mais do que planejar imóveis bonitos e funcionais para as pessoas morarem, é necessário criar espaços saudáveis que promovam a saúde e bem-estar de quem vai ocupá-los. Tudo precisa ser pensado para este fim: cômodos, mobiliário e até itens de decoração. Do que adianta projetar um imóvel espaçoso, mas não pensar na iluminação, por exemplo? Isso só vai agravar o desconforto do morador ao invés de relaxá-lo.
Neste cenário, não há mais espaço para projetos de interiores em residências que não levem em consideração a saúde física e mental das pessoas. A missão da arquitetura não é apenas planejar residências confortáveis e úteis, mas principalmente trazer mais tranquilidade, paz e felicidade por meio de espaços.
Ter uma casa própria é o sonho da grande maioria das pessoas. E não é por menos: além da independência financeira de sair do aluguel, é a possibilidade de ter algo para chamar de seu e planejá-lo de acordo com suas vontades e desejos. O que faz um imóvel se tornar “lar” é justamente esta etapa do planejamento e da construção ou reforma – e por isso qualquer erro aqui pode ser crucial.
Afinal, são nestes locais que passaremos grande parte do tempo. Estimativas indicam que passamos 90% das nossas vidas dentro de um prédio – seja ele um ambiente residencial ou comercial. É inegável que nossa casa corresponde a uma parcela significativa desse percentual, uma vez que é o espaço de descanso, convivência e diversão. Sentimos isso na pele quando a pandemia de covid-19 obrigou o isolamento dentro de nossas casas.
Poucos imóveis residenciais até então apostavam no conforto dos moradores. Agora, estes tópicos se transformaram na prioridade da lista. Não à toa, projeção da Organização Mundial de Saúde (OMS) indica que os ambientes construídos são responsáveis por 19% dos fatores que impactam a saúde e o bem-estar das pessoas.
Raramente as pessoas associam seus problemas de saúde ao lugar onde moram. A dor de cabeça é estresse do trabalho; o resfriado é gripe que pegou em um passeio; a dor de estômago é daquele restaurante que não caiu bem. Porém, da mesma forma que uma casa cheia de vida pode levantar nosso astral, um imóvel mal projetado pode acarretar vários perigos – a “Síndrome do Edifício Doente” existe e é reconhecida pela OMS desde os anos 1980.
O principal risco, evidentemente, diz respeito à saúde física por meio de poluentes que podem entrar na casa por meio do ar. Sem uma circulação adequada, os ocupantes podem desenvolver diversos problemas respiratórios, como asma e crise alérgica. Ambiente residencial sem conforto acústico pode agravar enxaquecas, insônias e hipertensão, além de atrapalhar o desenvolvimento cognitivo de crianças.
Mas há também efeitos na saúde mental. A iluminação, por exemplo, influencia diretamente em nosso humor, levando a crises de ansiedade e depressão em situações mais graves. A falta de ventilação pode trazer angústia e a sensação de “sufocamento”. Ruídos pela casa aumentam o estresse, assim como residências sem conforto térmico podem nos deixar mais tristes ou irritados.
A boa notícia é que os problemas podem ser evitados com medidas simples idealizadas pelo arquiteto na fase de projeto do ambiente residencial. Confira alguns tópicos que merecem atenção dos profissionais.
Qualidade do ar: Para assegurar um ambiente residencial saudável, é crucial que a casa facilite a renovação do ar, ao mesmo tempo em que garante a filtragem adequada desse ar para evitar a propagação de poluentes e agentes contaminantes. O uso de janelas, espaços amplos e corredores bem planejados pode ajudar a melhorar a circulação do ar interno. No entanto, é importante que essa ventilação seja acompanhada de sistemas de filtragem eficientes, especialmente em áreas onde a qualidade do ar externo pode ser comprometida, garantindo assim um ambiente interno saudável e seguro.
Iluminação: ao mesmo tempo em que o imóvel precisa valorizar a iluminação natural da luz solar por meio de janelas e espaços abertos, é necessário escolher corretamente as lâmpadas para cada cômodo. A luz amarela, por exemplo, é mais indicada para quartos e cozinhas por estimular maior relaxamento.
Controle de ruídos: o conforto acústico também é importante. Ninguém quer ser incomodado por ruídos em um momento de relaxamento, não é mesmo? Entre as principais dicas estão o uso de materiais de fibra, como cortinas, almofadas e mantas, além da implementação de vasos de plantas que atuam como uma barreira verde natural.
Sensação térmica: o ideal é a casa ter uma temperatura agradável em todas as estações do ano, ou seja, que não fique gelada no inverno e tampouco quente no verão. As cores da mobília e da parede podem reter o calor, mas a disposição dos móveis (mais afastados para esfriar e mais próximos para esquentar) e o uso de tapetes também são dicas úteis.
Sustentabilidade: neste tópico não entra apenas a preocupação com espaços verdes e uso de plantas, mas com todo o consumo de recursos naturais do local. Uma casa que utiliza água e eletricidade de forma inteligente, que reaproveita materiais e descarta lixo de forma correta garante impacto positivo no bem-estar a longo prazo.
Como se vê, o projeto de reforma ou construção de um ambiente residencial demanda grande atenção de arquitetos e design de interiores. Um bom planejamento pode transformar uma casa em um espaço de convívio e memórias felizes. O contrário também é válido: planos defeituosos costumam embarcar problemas de saúde para os moradores, tornando o local inabitável com o tempo.
Por isso mesmo, os projetos de interiores de residências também possuem sua própria certificação, avaliando item por item que garanta maior bem-estar físico e mental. O GBC Brasil possui o GBC Life, que engloba todos os fatores preponderantes para o sucesso de um bom planejamento.
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