Henry Ford (Greenfield Township, atual Condado de Wayne, 30 de julho de 1863 – Dearborn, 7 de abril de 1947) foi um empresário e engenheiro mecânico estadunidense, fundador da Ford Motor Company, e o primeiro empresário a aplicar a montagem em série de forma a produzir em massa automóveis em menos tempo e a um menor custo. Responsável por introduzir o seu modelo Ford T que revolucionou os transportes e a indústria dos Estados Unidos. Ford foi um inventor prolífico e registrou 161 patentes nos Estados Unidos
A ele é atribuído o “fordismo”, isto é, a produção em grande quantidade de automóveis a baixo custo por meio da utilização do artifício conhecido como “linha de montagem”, o qual tinha condições de fabricar um carro a cada 98 minutos, além dos altos salários oferecidos a seus operários — notavelmente o valor de 5 dólares por dia, adotado em 1914.
Henry Ford é considerado o maior ícone da Segunda Revolução Industrial, que tinha como cenário o EXCESSO DE DEMANDA (que a Primeira Revolução Industrial ainda não havia resolvido) e os bons empresários e pensadores econômicos adotaram a PRODUTIVIDADE como estratégia, o resultado perseguido era a receita, com foco no LUCRO.
Pode ser considerado um dos pioneiros na construção da CULTURA DA SUSTENTABILIDADE E ALTO DESEMPENHO. Utopia? Relembrando, a Ford transformou o estilo de vida norte-americano de 15 milhões de pessoas com o Modelo T (o famoso “carro popular”), principalmente, devido ao uso de duas estratégias que o mercado só iria adotar na Terceira Revolução Industrial: preocupações com a qualidade (EXCELÊNCIA) e busca obstinada pela redução de 58% nos preços (EFICIÊNCIA), de 1908 a 1916. Sempre com foco no CLIENTE!
À época, a Ford recebia mais pedidos do que conseguia atender e poderia ter aumentado os preços, contudo, o Sr. Ford continuou os reduzindo, mesmo após os acionistas entrarem com um processo. E, na mesma época, ele ousou aumentar o pagamento para “US $ 5 por dia” para os funcionários, que, por ser equivalente a duas vezes mais do que os valores praticados pelo setor, chocou e revoltou o mundo industrial, que tinha uma visão, essencialmente, de Capitalismo para Shareholder (Capitalismo para Acionistas)
O Wall Street Journal acusou Henry Ford de ter cometido “erros econômicos consideráveis, se não crimes” que em algum momento “voltariam como pragas para atacá-lo. Desejando o progresso social de forma um tanto ingênua”, declarou o jornal, com uma visão tipicamente dos que adotavam a MENTALIDADE DO NÓS (ÉTICA – Capitalismo para Shareholder – Capitalismo para todos os públicos envolvidos,), “Ford incorporara princípios espirituais em uma área em que não cabiam” (um crime hediondo à época) e os líderes do setor se alinharam para condenar “a atitude mais estúpida já sugerida no universo industrial” por influência do filósofo altamente idealista Ralph Waldo Emerson e, principalmente, por causa de seu ensaio “Compensação”, complementa o WSJ. Porém, sem se limitar pela “pela visão do Capitalismo para Shareholder, Ford optou por abordagem consciente de que pagar US $ 5 por dia aos funcionários e reduzir os preços dos carros acarretaria mais vendas de Modelos T. Postura prática? Idealista? Sim para ambos.
Mas o fator mais importante e fundamental para esta linha de ação foi o seu PROPÓSITO pessoal, que conseguiu implementar na empresa, expondo o seu princípio ÉTICO:
“Não acredito que devemos lucrar desmedidamente com nossos carros. Ter lucros razoáveis é o certo, nada exagerado. Prefiro vender uma boa quantidade de carros com lucros relativamente pequenos…defendo essa postura porque assim muitas pessoas poderão comprar carros e desfrutar deles, e porque isso viabiliza empregabilidade a mais pessoas e bons salários. São esses meus dois objetivos de vida”. – Henry Ford
Em1907, Henry Ford, incentivou formalmente a sua empresa a avançar com um surpreendente GRANDE OBJETIVO: “Democratizar o automóvel.” Ford proclamou: “Vamos produzir um automóvel para a grande massa. Seu preço será tão baixo que toda pessoa que ganhe um salário razoável será capaz de possuir um, e desfrutará com sua família da bênção das horas de prazer ao ar livre na natureza que Deus criou. Todos poderão arcar e possuir um. O cavalo terá desaparecido de nossas rodovias, o automóvel será a ordem do dia”.
Na época do GRANDE OBJETIVO, a Ford era apenas uma entre mais de 30 empresas, todas clamando por uma fatia do emergente mercado automobilístico. A Ford tinha apenas cerca de 15% do mercado. Esse PROPÓSITO ousado inspirou toda a equipe de design da Ford a trabalhar em um ritmo feroz até as 23h. Em dado momento, Charles Sorenson, um membro dessa equipe, lembrou: “Sr. Ford e eu uma vez trabalhamos cerca de 42 horas sem parar.” Como SEMPRE DÁ CERTO FAZER O CERTO, durante esse período, a General Motors viu sua participação no mercado cair de 20% para 10%, enquanto a Ford subiu para a posição dominante do setor.
Após o falecimento de Henry Ford e alguns ciclos de gestores, a Ford passou a esquecer o PROPÓSITO e legado deixado pelo fundador, até a crise dos anos 80, no início dessa década, a Ford Motor Company estava mal das pernas, sangrando as feridas das repetidas surras dadas pelos concorrentes japoneses. Pense um pouco e se coloque no lugar da diretoria, uma equipe comandando uma empresa que vinha sofrendo prejuízos líquidos na casa dos US $ 3,3 bilhões (43% de seu patrimônio líquido) há três anos. A equipe da Ford tomou uma série de medidas emergenciais para estancar o sangramento e manter a empresa respirando. Mas ela foi além, fez algo atípico para uma equipe que confrontara uma crise tão profunda: deu uma pausa para relembrar e esclarecer os PRINCÍPIOS e VALORES que a orientavam”.
Segundo Robert Schook, que estudou e escreveu um livro sobre a reviravolta de 1980: “O objetivo era criar uma declaração que esclarecesse os ideais defendidos pela Ford Motor Company. Algumas discussões… mais pareciam uma aula de filosofia do que uma reunião de negócios.” Outras montadoras americanas, que enfrentaram a mesma crise e, também, estavam tendo prejuízos, não tiveram a mesma atitude da Ford, em 1983, para discutirem sobre propósito, princípios e valores.
A partir desse processo, surgiu a declaração de identidade, isto é: “Propósito, Missão, Valores e Princípios Orientadores” da Ford. Don Petersen, ex-diretor executivo da Ford, declarou: “Houve boas discussões sobre nossas prioridades, entre os 3 P’s (Pessoas, Produtos e Poder, representado pelos lucros). Definitivamente, as pessoas têm que estar em primeiro lugar, com os produtos em segundo e, só depois, os lucros”. Se está familiarizado com a história recente da Ford, você não enxerga a Ford como uma empresa exemplar quanto às relações trabalhistas e à qualidade dos produtos. As lutas sangrentas e brutais contra o sindicalismo no início da década de 1930 e o Ford Pinto na década de 1970, que vivia explodindo, sujaram a imagem da empresa. Contudo, há evidências de que as deliberações da equipe da Ford sobre pessoas, produtos e lucros revisitaram a ideologia defendida por Henry Ford assim que a fundou.
A equipe que promoveu a reviravolta positiva nos anos 1980, não inventou valores do zero, ela na verdade reanimou ideais há muito adormecidos. Henry Ford, numa MENTALIDADE de CAPITALISMO PARA STAKEHOLDER, descreveu a relação entre pessoas, produtos e lucros, no começo da empresa, em 1916, conforme exposto acima, comprovando que SEMPRE DÁ CERTO FAZER O CERTO!
NOTA: A Ford maravilhou o mundo em 1914, oferecendo o pagamento de 5,00 dólares por dia, o que mais do que duplicou o salário da maioria dos seus trabalhadores. O movimento foi extremamente rentável; no lugar da constante rotatividade de empregados, os melhores mecânicos de Detroit afluíram para a Ford, trazendo seu capital humano e sua habilidade, aumentando a produtividade e reduzindo os custos de treinamento. Ford chamou isso de “salário de motivação” (“wage motive”). O uso da integração vertical pela empresa também provou ser bem-sucedida quando Ford construiu uma fábrica gigantesca, onde entravam matérias primas e de onde saiam automóveis acabados.
O Ford Model T foi apresentado em 1 de outubro de 1908. Ele tinha muitas inovações importantes, como o volante no lado esquerdo, o que foi logo copiado por todas as outras companhias. O motor e o câmbio eram totalmente fechados. Os 4 cilindros eram fundidos em um bloco sólido, e a suspensão usava duas molas semielípticas. O carro era muito simples de se dirigir e, o mais importante, sua manutenção era barata. O veículo era tão barato em 1908, custando 825,00 dólares (o preço caía todo ano) que na década de 1920 a maioria dos motoristas norte-americanos aprenderam a dirigir o Modelo T, o que deixou boas memórias para milhões de pessoas.
As vendas subiram rapidamente – vários anos tiveram 100% de lucros em relação ao ano anterior. Sempre na busca de maior eficiência e menores custos, em 1913 Ford introduziu a montagem em esteiras em movimento nas suas instalações, o que permitiu um enorme aumento da produção. As vendas ultrapassaram 250 000 unidades em 1914. Por volta de 1916, tendo o preço baixado para US$ 360,00 para os carros de passeio básicos, as vendas atingiram 472 000 unidades.[20]
Por volta de 1918, metade dos carros na América do Norte eram Modelos T. A alta produção conseguida por Ford tem como característica marcante a escolha de uma única cor de veículo, que era preta. Desta forma, ele conseguia montar os veículos sem ter que diferenciar o processo de pintura. Existe uma frase famosa que Ford escreveu em sua autobiografia sobre a escolha da cor do veículo: O cliente pode ter o carro da cor que quiser, contanto que seja preto”.
Henry Ford foi um pioneiro do “capitalismo do bem-estar social” concebido para melhorar a situação dos seus trabalhadores e especialmente para reduzir a grande rotação de empregados de muitos departamentos, que contratavam 300 homens por ano para preencher 100 vagas. Eficiência significava contratar e manter os melhores trabalhadores. Em 5 de janeiro de 1914, Ford anunciou seu programa “cinco dólares por dia”. O programa revolucionário e sistemático incluía uma redução da duração do dia de trabalho de 9 para 8 horas, 5 dias de trabalho por semana, e um aumento no salário-mínimo diário de US$ 2,34 para US$ 5 para trabalhadores qualificados. Outra inovação para o período foi a repartição com seus empregados de uma parte do controle acionário.
As ideias de Henry Ford modificaram todo o pensamento da época, foi através delas que se desenvolveu a mecanização do trabalho, produção em massa, padronização do maquinário e do equipamento, e por consequência dos produtos, forte segregação do trabalho manual em relação ao trabalho braçal (o operário não precisava pensar apenas como fazer seu trabalho, mas efetuá-lo com o mínimo de movimentação possível). Ele também implementou a política de metas, mesmo não possuindo esse nome, afirmando que X carros deveriam ser produzidos em Y dias.
Ele revolucionou o tratamento dispensando aos trabalhadores, pois melhorou o salário deles; segundo Ford, ao mesmo tempo em que, pelo pagamento de um salário substancial para aqueles que trabalhavam com a produção e a distribuição, ocorria o aumento de poder de compra proporcionalmente, criando um movimento econômico cíclico. Por esses motivos pode-se dizer que Henry Ford tornou-se um grande marco, sendo hoje muito estudado nas áreas de administração.
Eng. Naval pela Escola Politécnica – USP, pós-graduado/especialização/CEAG em finanças e engenharia pela FGV/EPUSP.
Atuou como Presidente, Diretor e Executivo em grandes empresas nacionais e internacionais (METRÔ, ABN AMRO Banco Real, Banco Itaú, ITAUSA – ITAUPLAN, Rhodia) e como consultor no Governo do Estado de São Paulo (Assuntos Estratégicos).
Ex. CEO do GBC (Green Building Council Brasil), trabalhou 10 anos desenvolvendo projetos de eficiência energética (Pioneiro em Cogeração), fontes alternativa de energia, uso racional de água e tratamento de resíduos. Pioneiro em Certificação LEED e ISO 14.001 para edifícios. Professor e Consultor nas áreas de Sustentabilidade (ESG), Liderança, Equipes de Alto Desempenho e Planejamento Estratégico.
Autor dos livros: “Sustentabilidade Corporativa, Cultura da Sustentabilidade e Alto Desempenho , Liderança – Sustentabilidade e Alto Desempenho, Equipe – Sustentabilidade e Alto Desempenho e Pessoas Certas