No dia 25 de fevereiro de 2025, realizamos na sede da CBRE em São Paulo (Rochaverá, Tosse Crystal), o workshop do projeto “NDC Scorecard for Sustainable Buildings”. Referido projeto está sendo coordenado pelo World Green Building Council, inicialmente em 5 países, e o GBC Brasil é uma das lideranças envolvidas. A partir do mês de abril os GBCs dos demais países (73) deverão se juntar ao projeto.
Para o Workshop, o Green Building Council Brasil acionou os Membros participantes do Comitê Técnico, que discutiu a versão 3 da certificação Casa&Condomínio, representantes da indústria da construção (CBIC e SindusCon-SP/COMASP), o Ministério de Minas e Energia, o Ministério da Fazenda e a Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas do município de São Paulo.
O NDC Scorecard for Sustainable Buildings visa mapear políticas, regulamentações e programas, que relacionam a contribuição das edificações nas metas e objetivos descritos na NDC. Em um segundo momento, discutir e identificar as ações que podem incrementar a contribuição das edificações nas metas e objetivos. Adicionalmente, divulgar os resultados junto às organizações internacionais, autoridades, empresas e profissionais atuantes no segmento de green building.
O Workshop iniciou-se com a contextualização do Projeto pelo CEO do GBC Brasil, Felipe Augusto Faria, e que também comentou sobre a importância da colaboração coletiva nas políticas e programas que comporão o Plano de Ação vinculado a NDC Brasileira. Sempre evidenciando a importância das edificações no contexto da transição climática, identificando oportunidades e respeitando as prioridades do país.
Pelo GBC Brasil, o Projeto vem sendo desenvolvido pela consultora de relações internacionais do Governo do Estado de São Paulo, Deborah Araújo, que durante o encontro explicou como foi realizado o levantamento das políticas e programas que endereçam energia, carbono, água, circularidade, equidade social e resiliência, além dos próximos passos do Projeto.
Na sequência, três políticas insistentemente mencionadas durante as entrevistas, reuniões e eventos relacionados na primeira fase do projeto foram apresentadas e discutidas, a saber:
– Requisitos Mínimos de Eficiência Energética nas Edificações, apresentado pela Alexandra Maciel, coordenadora de projetos de eficiência energética e analista de infraestrutura do Ministério de Minas e Energia.
O projeto tornará obrigatório o atendimento mínimo de índices de eficiência energética nas edificações públicas e privada. No caso das edificações públicas discute-se a obrigatoriedade da etiquetagem Procel Edifica nível A. E nos casos das edificações privadas estuda-se a obrigatoriedade da etiquetagem no nível C, considerando a modalidade de autodeclaração, vinculada a ART do profissional responsável e a equiparação do nível C ao atendimento à norma de desempenho NBR15.575.
–Taxonomia, apresentado pelo Matias Cardomingo, coordenador geral de análise de impacto socioambiental do Ministério da Fazenda.
Trata-se de uma regra geral destinada as instituições financeiras e mercado de capitais que decidirem caracterizar seus produtos como sendo “verde” ou sustentável.
O caderno F é destinado ao Setor da Construção e sugere índices de eficiência, objetivos ambientais e sociais, bem como indica certificações como ferramenta de compliance para o atendimento dos requisitos, dentre elas o GBC Casa&Condomínio e o LEED. A regra abrange edificações novas ou reformas.
A taxonomia é tão importante para o setor, que a representante da CBIC no Conselho Consultivo da Taxonomia Sustentável Brasileira e coordenadora do COMASP do SindusCon-SP, Lilian Sarrouf, ponderou a todos os interessados no tema que analisassem os demais cadernos. Pois salvo o caderno destinado ao agronegócio, todos os demais se relacionam com a indústria da construção. Os textos estão em consulta pública e podem ser acessados pelo link https://www.gov.br/participamaisbrasil/taxonomia-sustentavel-brasilieira
–Plano Municipal de Mudanças Climáticas da cidade de São Paulo, apresentado pelo André Previato, coordenador da SECLIMA.
O panorama geral das emissões da cidade de São Paulo e os riscos identificados frente a possíveis eventos climáticos extremos foi pauta de discussão, juntamente com o plano municipal em construção.
No caso do plano municipal a importância do ambiente construído se torna ainda mais importante em ambos os quesitos, mitigação e adaptação. E a estratégia na escolha do município de São Paulo para o Projeto da NDC Scorecard se justifica graças a uma situação comum identificada nos demais países, a necessidade de galgar consistência entre as políticas e programas locais e federal.
Nos próximos meses, o GBC Brasil estuda um segundo Workshop onde pretende convidar o Ministério das Ciências, Tecnologia e Inovação, o Ministério das Cidades e o Itamaraty.
Conforme discutido na reunião, possível pauta de agenda aos próximos encontros é a priorização da adaptação onde o tema água precisa de uma maior atenção, e a discussão para a solução do déficit habitacional com qualidade e conforto como sendo a principal ação de proteção aqueles mais vulneráveis aos risos climáticos.
“A construção imobiliária tem tido avanços significativos no caminho para edificações mais sustentáveis, o GBC Brasil tem sido uma grande vitrine de empreendimentos líderes e de profissionais capacitados no tema. Políticas Públicas devem estar alinhadas para que tenhamos mais incentivos e que avanços significativos possam ser obtidos para qualquer tipologia de edificação e por empresas de todos os portes. A Taxonomia Sustentável Brasileira pode ser um importante instrumento financeiro se desenvolvida com este olhar, por isso a importância do setor na construção desta política”. Lilian Sarrouf, coordenadora do COMASP do SindusCon-SP.
“O mapeamento de políticas alinhadas com a NDC para ambientes construídos é essencial para fortalecer a contribuição do setor da construção civil na mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Identificar e analisar regulamentações, incentivos e diretrizes permite compreender o cenário atual e propor aprimoramentos que tornem as edificações mais sustentáveis e resilientes. A harmonização entre políticas nacionais e locais, aliada ao diálogo contínuo entre os setores público e privado, é determinante para impulsionar soluções eficazes e viáveis, garantindo que o ambiente construído desempenhe um papel estratégico na transição para uma economia de baixo carbono. Diante da relevância do tema, o GBC Brasil tem interesse em promover um segundo workshop para aprofundar discussões sobre a gestão da água, além de envolver o Ministério das Cidades e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação no debate sobre o impacto das edificações nas metas climáticas do país”. Deborah Araújo, consultora de relações internacionais do Governo do Estado de São Paulo e consultora do GBC Brasil.
“As mudanças climáticas afetam a disponibilidade e a qualidade da água, impactando a saúde pública de forma significativa. O aumento das temperaturas favorece a proliferação de bactérias, que podem causar doenças respiratórias graves. Além disso, as variações extremas de temperatura exigirão maior consumo energético para aquecimento de água em períodos frios, criando um ciclo vicioso de demanda energética e maior emissão de carbono. A COP 30 precisa incluir esse tema como prioridade, assegurando diretrizes para monitoramento e mitigação desses riscos em edifícios, sistemas de abastecimento e infraestrutura urbana”. Marcos Bensoussan, sócio fundador da Setri Consultoria.