É a expressão da moda atualmente. Falar em biodiversidade melhora a imagem da marca, agrada clientes e pode até atrair mais investimentos. Entretanto, o discurso e a boa intenção não são suficientes para transformar a teoria em prática. É necessário muito mais para lidar com o tema de forma correta e trazer benefícios em vez de novos problemas. No caso de projetos em paisagismo, torna-se um desafio ainda maior para todo o setor de construção civil.
Hoje, praticamente qualquer obra, seja ela de construção ou de reforma, residencial ou comercial, contempla a existência de áreas verdes e a utilização de plantas e vegetais como ornamentos. É um avanço e tanto que reforça a preocupação de empresas e pessoas com a sustentabilidade e o meio ambiente. Saber utilizar os recursos naturais é uma das premissas mais valorizadas atualmente neste mercado.
Porém, a falta de conhecimento sobre a biodiversidade do local faz com que o projeto de paisagismo traga consequências graves para o meio ambiente.
Muitos pensam que bastam plantar árvores e incluir flores pelo terreno para o local estar “adequado” do ponto de vista ambiental. Por isso optam por espécies esteticamente agradáveis ao invés daquelas já acostumadas com o solo e o clima da região. Em alguns casos a vegetação pode morrer por não se adaptar, mas em outros pode se tornar invasora e simplesmente destruir a flora ao redor.
Planejar projetos de paisagismo sem levar em conta o conceito de biodiversidade é um dos erros mais comuns (e ao mesmo tempo mais sérios – que o setor de construção civil comete no país. Sem essa conexão, é praticamente impossível garantir uma edificação alinhada às boas práticas ambientais e pronta para encarar os desafios relacionados à sustentabilidade. Em suma: serão obras que não atenderão as demandas mais urgentes impostas pelas mudanças climáticas.
É necessário pensar em medidas que integram, de fato, o respeito ao meio ambiente local no planejamento e execução paisagística de qualquer obra. Com este guia, oferecemos um ponto de partida para maior compreensão sobre o tema e os primeiros passos a serem dados. Confira:
Fala-se tanto em biodiversidade que nem paramos para pensar no que esse conceito significa. Diferentemente do que muitos pensam ao associá-la simplesmente a meio ambiente, a proposta vai além disso. Ela serve para designar o conjunto e a variedade do mundo natural. Isto é, todos os seres vivos, incluindo plantas, animais, seres humanos e microrganismos e as interações decorrentes entre eles.
É o que faz o mundo ‘ganhar vida’, uma vez que é a partir da diversidade biológica que nós, humanos, temos alimentos, matéria-prima e muitos recursos essenciais para a nossa existência.
Isso explica, portanto, porque a nossa ação impacta diretamente no meio ambiente – estamos integrados totalmente neste ecossistema e influenciamos para o bem ou para o mal. O paisagismo, que nada mais é do que o planejamento e a gestão de áreas livres em arquitetura, entra neste ponto, uma vez que utiliza estes mesmos recursos naturais para criar seus projetos.
Dessa forma, iniciativas que respeitam a biodiversidade local impactam positivamente a fauna e flora. Já aqueles que ignoram esses conceitos tendem a provocar estragos irreversíveis a longo prazo.
Entre os principais problemas que um projeto de paisagismo mal planejado pode trazer para a biodiversidade estão:
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Um projeto de paisagismo que se preocupa com a biodiversidade começa antes mesmo da fase de planejamento. É uma necessidade que deve estar intrínseca aos valores das empresas envolvidas naquela obra – não apenas nos profissionais que vão construir as áreas verdes. Sem isso, a edificação não demonstrará cuidado em proteger o meio ambiente local. Assim, podem seguir dois tipos de ações:
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Felizmente, já surgem diversos projetos em paisagismo no Brasil que refletem essa preocupação com a biodiversidade. Alguns deles, inclusive, já buscam validações específicas na área e se tornam referências para obras futuras. Entre eles podemos destacar a Casa Hype, assinado pelo Bloco Base, que ganhou o primeiro selo GBC Biodiversidade.
Localizada em Curitiba, capital do Paraná, e sede da incorporadora Hype, o espaço manteve a vegetação já existente no local antes da reforma. Além disso, toda vegetação que foi plantada para a obra é considerada nativa do bioma. São 81,8% de espécies nativas, sendo 39,4% de espécies endêmicas, 12,1% de espécies em risco de extinção, 77% de árvores frutíferas nativas e diversas flores polinizáveis por abelhas e beija-flores.
De olho na necessidade de avaliar projetos de paisagismo em relação à biodiversidade local, o GBC Brasil desenvolveu um novo programa. O selo GBC Biodiversidade busca promover a regeneração e preservação da diversidade biológica dentro do contexto da construção civil. Dessa forma, busca valorizar iniciativas que utilizam espécies nativas, contribuindo para a proteção dos ecossistemas e a necessária adaptação às mudanças climáticas.
O programa analisa e verifica não apenas projetos de construção e reforma que estabelecem áreas verdes, mas também iniciativas privadas que buscam regenerar espaços públicos. Sempre por meio de diretrizes e métricas com o mesmo padrão dos demais programas e certificações do GBC Brasil.
Saiba como seu projeto pode contribuir com a biodiversidade local!