Um dos principais desafios das empresas atualmente é saber equilibrar as práticas sociais e ambientais (que guiam análises de mercado e de risco) com a necessária busca pela competitividade econômica em seus setores. Nem sempre uma estará alinhada com a outra – e encontrar soluções para isso é a tarefa principal de gestores. Nesse sentido, inovação e sustentabilidade, duas propostas consideradas antagônicas há pouco tempo, se mostram complementares e essenciais no universo corporativo.
Havia um sentimento de que não era possível coexistir estes dois conceitos dentro de uma organização. Por um lado, muitos acreditavam que a defesa do meio ambiente exigia “amarras” que limitavam o potencial inovador e a busca por soluções diferentes. Do outro, existia a ideia de que a procura incessante pela produtividade comprometia ações de proteção dos recursos naturais.
Como diz o ditado grego, nem tanto ao céu e nem tanto ao mar.
É claro que muitas empresas não souberam lidar com estas questões, comprometendo o meio ambiente a sua volta. Porém, conforme novos estudos e conhecimentos sobre os temas surgiram nos últimos anos, ficou evidente que não são visões contraditórias. Pelo contrário, uma ajuda a puxar a outra dentro de uma estrutura organizada e comprometida com governança e compliance.
Basta olhar o exemplo das indústrias brasileiras. Quase metade delas (47%) possui um plano formal de ação que une inovação e sustentabilidade, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Um número expressivo, sem dúvida, e que reforça a importância de adotar estratégias capazes de combinar estas duas visões dentro da operação de qualquer negócio.
Nesse sentido, a certificação ambiental em empreendimentos surge como uma poderosa aliada. Afinal, ela fornece os meios necessários para combinar processos inovadores com a preservação do meio ambiente, respeitando os aspectos econômicos. Seus parâmetros servem como indicadores que mostram exatamente os pontos a serem melhorados em cada situação.
Dinâmico, sempre em frente e eficiente, o Metrô de São Paulo se tornou um dos símbolos da região metropolitana paulista. A empresa, que completou 50 anos de operação em 2024, também se destaca atualmente como uma importante organização na proteção ambiental justamente ao combinar inovação e sustentabilidade em seus projetos.
Com a proposta de conectar pessoas e lugares por meio de uma rede de mobilidade sustentável, a empresa se sobressai pelos números grandiosos. Em 2024, transportou 851 milhões de passageiros em suas quatro linhas e 63 estações, e cada um deles gastou apenas 3 gramas de dióxido de carbono por passageiro/quilômetro. Isso contribuiu para que a empresa evitasse 648 mil toneladas de CO2 ao longo do ano.
A sustentabilidade também está presente nas diretrizes de construção e reforma de suas estações, obras que, evidentemente, possuem alto impacto socioambiental. Mas foi a partir de 2018 que passou a buscar por soluções igualmente inovadoras na proteção ao meio ambiente com estes projetos.
Na ocasião, um órgão financiador exigiu um estudo de sustentabilidade na Linha 5 – Lilás e o potencial de certificação ambiental para a estação Brooklin. A medida trouxe novos parâmetros de análise, que rapidamente foram incorporados ao projeto de extensão da Linha 2 – Verde.
Por meio da avaliação dos requisitos e dos créditos da certificação LEED BD+C, destinada a novas construções, identificou-se o potencial de certificação da estação Anália Franco. Após mudanças de parâmetros nos processos, houve o registro do projeto e, atualmente, a coleta de evidências que atendem aos pré-requisitos da certificação.
Mais do que isso: por meio dos diagnósticos recebidos tanto na Linha 5 – Lilás quanto na Linha 2 – Verde, o Metrô fez ajustes nos requisitos gerais da construção de futuras linhas e estações, garantindo que elas já estivessem de acordo com as boas práticas de construção sustentável. Ou seja, hoje qualquer projeto já nasce dentro do espírito de inovação e sustentabilidade.
Diante da busca por inovação e sustentabilidade impulsionada pelos parâmetros de certificação ambiental, o Metrô de São Paulo estabeleceu quatro requisitos para a elaboração de seus projetos – e, claro, a busca por soluções.
Essa combinação (possibilitada pelos estudos de certificação ambiental) trouxe diversos benefícios para os projetos do Metrô de São Paulo. Confira:
O Metrô de São Paulo soube equilibrar bem esses pontos a partir do momento que fez estudos de viabilidade de certificação ambiental em seus projetos. Isso ocorre porque essas ferramentas oferecem parâmetros claros de análise e de mensuração de práticas ambientais em diferentes estágios de um projeto de construção e/ou reforma – e que atendem as boas práticas legais e regulatórias.
O GBC Brasil, por exemplo, é a organização responsável por algumas das principais certificações ambientais para construções no país, como o LEED, GBC Casa & Condomínio e o GBC Biodiversidade. Com nosso trabalho, é possível promover uma verdadeira transformação em diferentes setores, contribuindo com projetos inovadores e, ao mesmo tempo, sustentáveis.