Eventos climáticos extremos: com o que se preocupar onde você vive?

Publicado em 15 . 10 . 2024

Há anos se ouve falar sobre as mudanças climáticas que poderiam acontecer caso a humanidade não tomasse providências com relação ao seu impacto no meio ambiente. Porém, nas últimas décadas, os fenômenos meteorológicos se tornaram eventos climáticos extremos.

Ondas de calor, inundações, furacões, incêndios florestais são alguns exemplos desses eventos que ocasionam perdas materiais, humanas, de fauna, de flora e danos ao meio ambiente. Segundo os cientistas da World Weather Attribution, se o mundo continuar a queimar combustíveis fósseis, a probabilidade de ocorrer eventos pluviométricos devastadores aumentará de 15% a 25% tanto nas áreas litorâneas como no interior das regiões mais afetadas por esses fenômenos.

No Brasil, por exemplo, ocorreram 12 eventos climáticos extremos no ano passado, segundo dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Por serem tão perigosos e danosos para a sociedade e para o meio ambiente, é necessário criar medidas preventivas e estudos para diminuir os impactos dos eventos.

Quais medidas são necessárias para evitar os efeitos dos eventos climáticos extremos?

Obviamente, ninguém quer que seu patrimônio seja danificado ou até perdido completamente em nenhuma situação. Na verdade, mais do que isso, é preciso que ele possa funcionar plenamente, ainda que, da porta para fora, a situação esteja complicada.

Quando se trata de fenômenos meteorológicos desta magnitude, como chuvas intensas e ventos fortes, a infraestrutura da sua edificação desempenha um papel crucial para garantir segurança e minimizar danos.

Para isso, estes são os principais pontos de preocupação necessários voltados diretamente para a estrutura física da sua casa:

  1. Estrutura do telhado: O telhado é uma das áreas mais vulneráveis em situações de chuvas e ventos fortes. Para garantir sua resistência, certifique-se de que todas as telhas estão firmemente fixadas e em boas condições, sem rachaduras ou danos que possam permitir infiltrações. Em regiões propensas a ventos fortes, considere reforçar a fixação do telhado com parafusos e conexões metálicas adicionais, evitando que ele seja arrancado pelo vento.

É importante também manter as calhas limpas e desobstruídas para evitar acúmulo de água que possa sobrecarregar a estrutura e causar infiltrações ou desabamentos.

  1. Sistema de drenagem: Uma drenagem eficiente é essencial para evitar o acúmulo de água ao redor da edificação, o que pode comprometer a fundação. Por isso, verifique se o solo ao redor do local onde mora tem uma leve inclinação para afastar a água da base da construção. A água parada perto da fundação pode infiltrar e causar erosão ou comprometimento da estrutura.

Inspecione regularmente ralos e tubulações externas para garantir que estejam livres de entupimentos, permitindo o escoamento adequado das águas das chuvas.

  1. Impermeabilização da fundação e paredes: Isso é fundamental para evitar infiltrações que possam danificar a estrutura do seu imóvel ao longo do tempo. Assegure-se de que a fundação esteja corretamente impermeabilizada, especialmente se o nível do solo ao redor da construção for mais baixo ou se houver risco de alagamento. Um sistema adequado impede que a água suba pelas paredes.

As paredes externas também devem ter camadas protetoras adequadas para evitar infiltrações e mofo, principalmente em áreas expostas a chuvas fortes. Isso vai contribuir para evitar que os moradores do local venham a ter doenças respiratórias.

  1. Janelas e portas: Os ventos fortes e as chuvas podem forçar a entrada de água e causar danos internos, por isso verifique as vedações de portas e janelas para garantir que estejam em perfeito estado, sem rachaduras ou falhas. As vedações adequadas evitam que a água da chuva entre, além de bloquear a força do vento.

Em áreas de ventos extremos, considere a instalação de persianas resistentes a tempestades ou barreiras físicas (como contraventamentos) que possam ser utilizadas para proteger janelas e portas durante uma tempestade.

  1. Resistência estrutural: A solidez da estrutura da edificação deve ser suficiente para suportar as cargas impostas por ventos e tempestades, por isso é de suma importância que os pilares e vigas de sustentação do seu prédio estejam dimensionados corretamente e livres de danos estruturais. Materiais enfraquecidos pela umidade ou desgaste podem comprometer a estabilidade em eventos climáticos intensos. Caso a sua construção esteja localizada em uma região com alto risco de vendavais, avalie a possibilidade de adicionar reforços estruturais nas áreas mais expostas ao vento.
  2. Proteção contra relâmpagos e raios: Em locais propensos a tempestades, a proteção contra descargas elétricas é essencial. Algumas das medidas que podem ser tomadas são instalar um sistema de para-raios adequado para evitar danos por descargas atmosféricas, que podem comprometer os sistemas elétricos e até causar incêndios; e verificar o sistema de aterramento da edificação, pois ele precisa estar em boas condições para dissipar a energia dos raios de forma segura.
  3. Resistência das paredes externas: As paredes externas precisam ser capazes de resistir à força dos ventos e ao impacto de objetos arremessados. Se sua região é frequentemente atingida por ventos fortes, como furacões ou ciclones, considere o uso de materiais de construção mais resistentes, como blocos de concreto ou tijolos reforçados, em vez de materiais leves como madeira ou gesso.

Outra forma de se precaver é utilizar revestimentos externos que sejam resistentes à umidade e ao impacto, evitando danos como rachaduras, infiltrações e desprendimento do reboco.

  1. Fundações e estabilização do solo: A fundação deve estar preparada para suportar tanto chuvas intensas quanto erosão do solo. Realize inspeções regulares na fundação da casa para garantir que não haja sinais de recalques (afundamentos) ou rachaduras causadas por deslocamento de solo.

Se sua edificação estiver em um terreno inclinado, considere instalar muros de contenção ou sistemas de drenagem para estabilizar o solo e evitar deslizamentos durante tempestades.

  1. Gerenciamento de águas pluviais internas: Se ocorrer um vazamento ou infiltração, é essencial estar pronto para lidar com o excesso de água dentro da residência. Em locais sujeitos a enchentes, pense em colocar bombas de drenagem automáticas em porões ou áreas inferiores da construção, garantindo a rápida remoção do acúmulo.

O uso de pisos e revestimentos de parede impermeáveis em regiões mais baixas ou vulneráveis a alagamentos pode reduzir significativamente os danos internos.

Focar nesses aspectos da infraestrutura garantirá uma edificação mais resiliente e preparada para suportar eventos climáticos extremos, protegendo sua casa e a integridade estrutural a longo prazo.

Saiba mais: O seu prédio está preparado para as mudanças climáticas?

Como ter um guia para adaptar do local onde vive para uma edificação resiliente a eventos climáticos extremos?

Certificações ambientais, como LEED, contribuem significativamente para a preparação de edifícios frente a eventos climáticos extremos, promovendo práticas sustentáveis e soluções resilientes. Elas incentivam o uso de sistemas de gestão de água eficientes, como a captação de água da chuva e drenagens sustentáveis, que ajudam a evitar inundações. Além disso, a escolha de materiais duráveis e resistentes à umidade e intempéries fortalece a estrutura contra ventos fortes e inundações.

Esses processos de validação também priorizam a eficiência energética e o isolamento térmico, permitindo que os edifícios mantenham conforto mesmo em situações de emergência, como cortes de energia. Sistemas de climatização passiva e o uso de energias renováveis, como a solar, aumentam a resiliência. O design adaptável e o reforço estrutural também são incentivados para garantir que as construções resistam a diferentes tipos de fenômenos naturais.

Além disso, certificações ambientais promovem a gestão eficiente de resíduos, reduzindo o impacto de desastres e facilitando a recuperação após eventos climáticos. Elas também garantem ambientes internos mais seguros e saudáveis, com boa qualidade do ar e materiais não tóxicos, protegendo os ocupantes em situações adversas.

Certificações ambientais garantem resiliência e sustentabilidade. Dê o primeiro passo para certificar sua edificação agora!

 

Por GBC Brasil

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