Este é o sonho de consumo da grande maioria das pessoas! As varandas em edifícios residenciais estão entre os principais atrativos de quem mora (ou pretende morar) em um apartamento. Quando bem planejadas oferecem diversos benefícios às pessoas, criando um espaço aconchegante para todos. Contudo, o contrário também é válido: um mal projeto pode transformar este sonho em pesadelo ao trazer diferentes problemas para a realidade de todos.
Atualmente, uma das principais tendências é a utilização de vidros no intuito de fechar esse ambiente – garantindo mais privacidade para seus ocupantes e protegendo-os contra eventuais perigos do entorno. É um conceito arquitetônico bastante popular em prédios corporativos e que começou a ter mais adeptos a partir desta década nos edifícios residenciais – principalmente nos grandes centros e com imóveis considerados de alto padrão.
A ideia é ter um local harmonioso, livre de qualquer interferência externa como ruídos e poluição, mas sem perder a vista e o contato com o ambiente exterior.
Foi a busca por esse mundo ideal que potencializou o mercado imobiliário durante a pandemia de covid-19. Com maior tempo em seus lares, as pessoas decidiram realizar adaptações em suas casas e apartamentos. Uma delas foi a busca por quintal e varanda. É o que mostra um levantamento do portal Imovelweb logo nos primeiros meses de 2020 e de avanço da doença. Houve um aumento de 96% por imóveis deste tipo de 2019 para 2020.
O problema é que a teoria nem sempre corresponde à prática. O dia a dia das varandas em edifícios residenciais com painéis de vidro é bem diferente daquilo que elas sonham e imaginam. Seja pela dificuldade de manusear o equipamento para abrir e fechar ou até pela rotina dos ocupantes, essa área acaba ficando fechada em quase a totalidade. Assim, em vez de criar um local harmonioso, se transforma em uma pequena “estufa” durante os períodos de maior calor.
Para evitar isso, é preciso compreender as reais funções que a varanda pode oferecer e, claro, entender os perigos que o uso inadequado pode acarretar.
Para começar, é preciso entender o que são, de fato, varandas em edifícios residenciais. De forma técnica, são ambientes que compartilham a mesma cobertura do imóvel, sendo seu prolongamento para o exterior. Ela não fica suspensa como uma sacada e não fica na parte superior como um terraço. Assim, fazem parte da casa ou apartamento, funcionando como uma transição entre a parte interna com o exterior.
Esse é um ponto-chave para entender a importância das varandas. Por fazer parte do imóvel ao mesmo tempo em que permite contato com o lado externo, serve como uma espécie de ponte entre os dois ambientes. Ou seja, o calor, o frio e o ar passam obrigatoriamente por este cômodo antes de entrar no restante da residência – e isso traz impactos profundos para a saúde do imóvel e, claro, dos ocupantes.
Mais do que ser uma barreira, como muitas famílias optam ao incluir os painéis de vidros, a varanda deveria ser encarada como uma espécie de filtro, privilegiando a iluminação e ventilação natural em contraponto aos sistemas de ar-condicionado e iluminação artificial.
ENTENDA | Projetos com orçamento reduzido também podem ter certificação ambiental
Ao “fechar” as varandas em edifícios residenciais com painéis de vidro, as pessoas reduzem a função original do ambiente (servir de transição), transformando-o em uma verdadeira estufa, uma vez que potencializa a sensação térmica que vem do ambiente externo. Confira alguns dos principais riscos:
SAIBA MAIS | Biofilia em prédios corporativos
Apesar dos riscos, não se trata de simplesmente proibir a utilização dos painéis de vidro nas varandas em edifícios residenciais. Pelo contrário, é preciso justamente compreender os prós e contras para garantir o seu uso adequado e que atenda todos os objetivos da família no imóvel. A poluição sonora e do ar, por exemplo, são alguns dos motivos que fazem as pessoas buscarem esse recurso em seus ambientes.
Por isso, o recomendado é deixar que as varandas “abertas” em grande parte do dia, permitindo que uma boa circulação do ar e uso da iluminação natural. Só essa medida é capaz de evitar a sensação de estufa nos dias mais quentes – o que reduz drasticamente o consumo do ar-condicionado. Para isso, escolha fornecedores com materiais que facilitem o manuseio, possibilitando que os ocupantes possam abrir e fechar os painéis com facilidade.
Além disso, faça desse local mais uma área verde na residência, com uso de vasos e plantas. Além de melhorar a qualidade do ar, servem como uma barreira natural para eventuais ruídos e partículas de poluição, além de contribuir também com o conforto termoacústico de toda a casa.
MAIS | Biodiversidade e paisagismo: guia prático para projetos
As varandas em edifícios residenciais não precisam ser uma dor de cabeça para as famílias. Se ainda há dúvidas sobre as boas práticas e legislação vigente, é possível buscar projetos certificados que passaram por uma profunda análise técnica para pontuá-los de acordo com seu nível de eficiência ambiental.
O GBC Brasil, por exemplo, se destaca por possuir algumas das principais certificações oferecidas no Brasil, como o GBC Condomínio e o GBC Biodiversidade. Quer saber mais? Acesse nossa página especial!